7.3.09

Desnecessário

Nada me deixou mais impressionado essa semana do que o caso da menina de nove anos que engravidou após ser estuprada pelo padrasto.
Só o caso em si já é para deixar qualquer um perplexo. Mas nessa história o que me deixou mais desse jeito foi a atitude da igreja, representada pelo arcebispo de Olinda e Recife José Cardoso Sobrinho, ao saber que a menina seria submetido a um aborto.
Segundo os médicos, se a gravidez continuasse a menina estaria correndo sérios riscos e poderia até morrer. O que é até meio óbvio, já que uma menina de nove anos, segundo os proprios médicos, não tem nem o orgão genital formado completamente, muito menos iria aguentar uma gravidez de gêmeos. A única solução foi o aborto que nesse caso está previsto em lei.
O arcebispo não demorou muito para dar um entrevista dizendo que a lei de Deus é superior a lei dos homens e que a mãe da menina e os médicos estavam excomungados pela igreja. E, acreditem, isso me deixou mais perplexo que a gravidez em si.
Não quero fazer aqui uma discussão sobre religião, nem condenar nenhuma delas. É só uma crítica que eu faço a igreja católica pela inadequação aos tempos de hoje. Eu entendo que cada religião têm seus dogmas e tradições mas em certos casos eu imagino que deva prevalecer um bom senso. A igreja católica parece que pensa ao contrário. Será que esse arcebispo não pensou que a menina poderia ter MORRIDO? Para ele e para Deus, seria certo essa menina, com nove anos, morrer? Eu não creio nisso.
As vezes eu acho que a Igreja Católica deveria parar um pouco e pensar se vale a pena continuar tão tradicional e cada vez mais perdendo fiéis. Por exemplo, eu acho o cúmulo um Papa, que é uma autoridade não só religiosa, mas também política, chegar e condenar o uso da camisinha, enquanto milhões de pessoas morrem de AIDS no mundo todo. Não me convence a justificativa que para a Igreja, os homens só deveriam fazer sexo após o casamento. Eu queria saber quantos católicos respeitam isso hoje em dia? Por isso que eu digo que eles estão precisando se adequar, se modernizar, para não cometer essas ignorâncias.

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